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Model Shop



 

Porque será que quando se nomeiam os melhores filmes de Jacques Demy raramente é indicado MODEL SHOP?
Realizado em Los Angeles, durante os dois anos em que lá viveu com Agnès Varda, foi um fracasso de bilheteira e a crítica da altura não foi favorável. Mas o tempo, mais uma vez, escreve direito por linhas tortas. Este filme de 1968, de um encantamento triste, é um dos mais belos de sempre.
Model Shop reflecte todo o imaginário cinematográfico de Demy, num único filme, desde Lola, passando pela Bai des Anges, aos musicais com a Deneuve e a Dorléac que já eram um chamamento ao cinema que vinha de Hollywood. Para LA vai também a Anouk Aimée e o fantasma de Lola ao encontro do perdido George (Gary Lockwood) que percorre as ruas da grande cidade a conduzir um carro descapotável enquanto ouve no rádio a Xerazade de Rimsky-Korsakov, música que anuncia Lola, agora a fazer uns biscates como modelo num bizarro estúdio fotográfico. Um sublime encantamento este filme, como muito bem afirma António Rodrigues no texto dedicado nas folhas da Cinemateca de 2009. Daqueles filmes que ainda espero ver numa sala de cinema, numa cópia restaurada e se for em película ainda melhor. Model Shop foi a capa da revista Cahiers du Cinéma, no número 205 de Outubro de 1968.