unraccord

filmes nas salas de cinema em 2013



imagem e comentário do filme 2001: Odisseia no Espaço (1968) de Stanley Kubrick



A reposição de filmes clássicos em salas de cinema é obviamente o grande acontecimento cinematográfico de 2013. Queriam o quê, filmes da moda, festivais, telenovela e outros hypes?
Um clássico é um clássico é um clássico, seja no cinema, na literatura, na pintura, em toda a arte, com todos os defeitos e virtudes. O regresso, em contra-ciclo, de grandes filmes da história do cinema, restaurados em película ou digital, e exibidos numa sala comercial projectados em grande ecrã é por isso de saudar e de destacar, ainda para mais num ano em que a existência da Cinemateca Portuguesa foi posta em causa. As desgraças deste país são tristes, mas não têm que ser fado.
Volto a repetir, a quinta-essência do Cinema é a projecção de filmes para uma grande tela numa generosa sala de cinema, se for em película melhor, com riscos e outros defeitos e tudo, gosto de ver a patine do tempo sobre os filmes. Se for em cópias digitais restauradas é um mal menor, desde que a exibição pública seja numa sala de cinema.
A longa caminhada para a invenção do cinematógrafo (título do pedagógico livro de Henrique Alves Costa) atingiu o seu auge no século XX, em paralelo a tecnologia inicia o seu ataque ao cinema com o surgimento da televisão e a sua redução do tamanho do ecrã, surgem os monitores de computadores e acentua-se a redução, com os laptops ainda mais, com os tablets mais um pouco, agora temos os ecrãs minúsculos dos smartphones, o próximo passo são os ecrãs embutidos em óculos high-tech, aqui atingimos a redução absoluta do ecrã, e num futuro, que não deve ser muito longínquo o ecrã desaparece totalmente e o download dos filmes em streaming será directamente para o cérebro.
Este regredir do tamanho do ecrã até ao seu desaparecimento, assume-se como uma involução que confirma a morte do cinema clássico. Chegamos a este triste, desumanizado e desadmirável mundo novo rodeados de entulho tecnológico. Contudo, chega de treta e registe-se os filmes que regressaram às salas de cinema em 2013:

Casablanca (EUA, 1942) de Michael Curtiz
Primavera Tardia / Banshum (Japão, 1949) de  de Yasujirô Ozu
Viagem a Tóquio / Tôkyô Monogatari (Japão, 1953)  de Yasujirô Ozu
Até à Eternidade / From Here to Eternety (EUA, 1953) de Fred Zinnemann
A Mulher que Viveu Duas Vezes / Vertigo (EUA, 1958) de Alfred Hitchcock
Hiroshima, Meu Amor / Hiroshima, Mon Amour (França, 1959) de Alain Resnais
Psico / Psyco (EUA, 1960) de Alfred Hitchcock
O Gosto do Saké /Sanma no Aji (Japão, 1962) de Yasujirô Ozu
Lawrence da Arábia / Lawrence of Arabia (GB, 1962) de David Lean
2001: Odisseia no Espaço / 2001: A Space Odissey (EUA/GB, 1968) de Stanley Kubrick
As Bailarinas / Les Valseuses (França, 1976) de Bertrand Blier
Taxi Driver (EUA, 1976) de Martin Scorsese

Para 2014 teremos 17 filmes de Ingmar Bergman, que venham mais, muitos mais.
Porém, o sucesso destas reposições em sala de cinema, e para que continuem, só é possível com a participação das pessoas, o vulgo público, por isso, sair de casa, largar os redutores ecrãs e regressar ao grande ecrã do Cinema, é o que desejo a todos os cinéfilos.