unraccord

2001: Odisseia no Espaço


(EUA/GB, 1968, 160')


Há filmes que nascem connosco, como esta obra-prima indiscutível da arte cinematográfica, de um cineasta maior e felizmente com uma filmografia discutível e susceptível de várias reflexões, os grandes deixam sempre heranças a quem as souber receber. Um filme sublime. Grandioso. Todos os panegíricos são poucos para falar desta obra do genial cineasta Stanley Kubrick. Uma nova cópia está em exibição em SALAS DE CINEMA, assim em maiúsculas porque este filme só pode ser visionado numa sala de cinema, foi pensado para uma enorme tela. Não adianta de nada termos em casa um plasma ou lcd ou outro écran, nunca se terá uma Grande Tela de sala de cinema. Todo o visionamento fora do espaço de uma sala de cinema é truncado, intraduzível como um poema. Além disso a experiência de se ver este filme numa sala com muitas pessoas é única. O filme esmaga todos os espectadores, suga-lhes a existência, silencia-lhes a alma. Sentir tudo isto no meio dos outros, «só, no meio da multidão» (M. Duras), sozinhos no meio do cinema mais puro. Esta solidão magnética pelo espaço só é alcançável numa sala de cinema. Agora, que alguns choramingam porque as salas vão fechando por todo o país, a melhor atitude que têm que tomar é ir ao cinema ver ou rever este filme, levai os amigos, a família, e todos os que exigem da vida mais do que a pobreza indigna a que nos querem submeter. Uma das necessidades absolutas de, pelo menos, todas as cidades do país terem uma sala de cinema é esta mesma, tal como o teatro precisa de um espaço físico e não volátil ou virtual, também estas obras cinematográficas (o Cinema) o exigem. Se há bibliotecas, necessariamente tem de existir uma sala de cinema por município. Da terra, ao vazio absoluto, do espaço sideral até à transcendência, esta é a magnifica odisseia deste filme, o monólito negro o seu testemunho que agarramos fortemente entre mãos e transportamos durante a estafeta cinéfila para partilhar com os outros o quão belo é o cinema.

Quase tudo já foi dito e escrito sobre este filme, porém como todas as grandes obras são abertas à eternidade, o último texto que vale uma leitura atenta é o de Luís Miguel Oliveira, no ípsilon de 22 Novembro, "O nascimento do homem novo", pontuado nas acertadas referências a Orson Welles (pela megalomania), a Kathryn Bigelow (perspicaz), a Terrence Mallick (pela cosmogonia) e na mouche ao referir o genial e lonely "cavalheiro" Jacques Tati.  
Aqui ficam uns vídeos do filme para seduzir os iniciados à sétima maravilha que é ver um filme numa sala de cinema.