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Um Método (nada) Perigoso

A Dangerous Method (GB/Canada, 2011) de David Cronenberg

Sabe-se que o mais difícil é criar uma marca de autor, um estilo, uma linguagem, uma imagética que identifique um cineasta. Cronenberg tinha essa reconhecível marca, um cinema perturbador, numa fase inicial no limbo entre o horror, o suspense e o confronto entre o homem, a ciência e as tecnologias. A partir do magnífico "Uma História de Violência" Cronenberg afasta-se do seu percurso inicial e interessa-se mais pelo confronto entre o homem e o mundo, por um existencialismo, esse sim perigoso, bestial e humano.
Neste último não aplicou o seu método e saiu uma obra descaracterizada, onde muito dificilmente se encontram as marcas cronenberguianas. De perigoso nada tem, formal e previsível, os actores cumprem, a realização é eficaz, a fotografia irrepreensível, e a diferença é muito ténue entre este filme e aquelas séries e filmes académicos da BBC, "very british". E quando parece que as marcas de Cronenberg se insinuam, estas são retraídas, quase envergonhadas ao tratar os temas da sexualidade e da traição, uma oportunidade perdida para rasgar o filme e entrar nos abismos das mentes que fundaram a psicanálise. Temos, assim,  um triângulo de personagens/actores que apenas ilustram uma época e uma sociedade aburguesada às portas da primeira guerra mundial.