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As Imagens & as Capas dos Livros

Quem gosta de literatura e de livros não poderá deixar de andar enjoado e revoltado com as miseráveis capas que proliferam nas livrarias. Os objectivos comerciais de certas editoras estão a destruir a edição rigorosa e apaixonada pelos livros. Dentro destas editoras destaca-se ultimamente o Grupo Leya com as suas chancelas adquiridas de forma capitalista e que estão a destruir as antigas Teorema (A reedição da obra de Italo Calvino é um bom exemplo, aquelas capas são horríveis, um desastre editorial), Dom Quixote, Caminho, ASA, etc e a fazer enriquecer ainda mais o ambicioso e monopolista atelier do senhor Henrique Cayatte e colaboradores.
O grupo Babel do senhor banqueiro armado em poeta deverá fazer o mesmo com as editoras que comprou, isto é, destruir-lhes a alma só que ao contrário da Leya que o faz de forma populista esta será mais requintada e aristocrática. Depois ainda temos a Bertrand, a Quetzal, a Porto Editora, etc tudo editoras que tratam os livros unicamente com objectivos comerciais e lançam para o mercado títulos de excelentes autores com capas desastrosas, imagens mal seleccionadas, fontes tipográficas erradas, demasiadas e erradas cores, vernizes, plásticos, relevos, citações nas capas, etiquetas, etc. As capas produzidas por estas editoras são uma confusão de informação, um festival kitsch de cores e formas, uma nojeira, uma ofensa para quem gosta de livros e de literatura. Salvam-se deste lixo editorial as seguintes editoras: A discreta Assírio & Alvim, a selectiva na escolha de imagens para as capas Relógio D´Água, a criativa Tinta da China, a rigorosa Fenda, a eficaz Antígona, e as minhas muito estimadas e dedicadas &etc, Averno, Frenesi e Cotovia pela sua paixão pelos livros, pelos autores, pela literatura. Além das capas a dedicada edição de um livro passa pela composição e paginação da mancha do texto, pela escolha do papel, gramagem e cor, pela fonte tipográfica, o corpo para títulos e mancha de texto, pelo formato do livro, etc resumindo pelo respeito que o livro, o autor e a literatura exigem. A selecção e a utilização de uma imagem na capa de um livro não é tarefa fácil e exige uma formação cultural elevada, a percentagem de capas falhadas e dessa forma ferindo a obra literária, pela selecção e aplicação errada de uma imagem é imensa. 
Uma editora como a prestigiada Francesa Gallimard construiu um catálogo fabuloso com as suas famosas e simples capas sem imagens.

O exemplo de uma recente boa edição em Portugal é este: 
Livros & Cigarros de George Orwell. Antígona, 2010