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Avatar ou a fraude cinematográfica do 3D

(não é necessário utilizar óculos 3D para ler este texto.)

O filme Avatar é cinema? Não. Apenas um entretenimento de parque de diversões, numa sala cheia de adolescentes, calor insuportável, pipocas e refrigerantes. E o ridículo de ver os espectadores com uns óculos feios enfiados na cara.
Não passa de uma larva fílmica que não concluiu a sua metamorfose.
Uma proposta para um cinema irrealizável, porque o cinema não é esta coisa híbrida entre o videojogo e a second life, nem nunca será. O 3D é uma fraude técnica digital, um upgrade da tecnologia dos anos 50 do século passado, em que a bidimensionalidade está sempre presente, as imagens continuam a ser projectadas para uma tela rectângular e o espectador na sua posição tradicional sentado na cadeira. Onde é que está a revolução técnica do cinema?
Quando um dia se fizer o plugin electrobiodigital entre o espectador e o suporte fílmico, talvez aí se dê um salto tecnológico, mas também nesse caso não será cinema, se o objectivo único for provocar estimulos sensoriais e inócua reflexão.
Além disso, os óculos são desconfortáveis, cansam e secam os olhos. Acrescente-se a irritabilidade das legendas que saltam constantemente de posição, num filme que poderia muito bem ser dobrado em português já que em nada alterava a recepção da interpretação dos actores e dos insípidos personagens, que também não estão lá a fazer nada, já que uns bonecos animados nesse 3D substituiam-nos perfeitamente. A linguagem cinematográfica desta espécie de filme serve unicamente o propósito desta tecnologia 3D, planos exibicionistas, movimentos de câmara subalternos da tecnologia, uma linearidade temporal primitiva e demasiado longa, uma entropia imagética para fritar cérebros ou adormecer de aborrecimento.
Não há uma ideia nova sobre cinema, apenas uma narrativa básica, estereotipada e previsível, grosseiramente assente nos modelos de estrutura clássica como o western e a ficção científica, agora com a temática ambiental mal explorada e maniqueísta.
O cinema como todas as manifestações artísticas necessita de distanciamento, de reflexão, de perturbar o espectador, de questionar o mundo e há filmes que conseguem ser “bigger than life” mas não é certamente este.